quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"Comunicar-se"

"Tenho pensado muito no que postar, mas sempre encontro um motivo para resistir, não sei ao que, mas talvez resista em pensar algo de fato.
Certa vez li no blog de uma amigo, que o que postamos em nossos blogs é um reflexo do que estamos vivendo e não tenho ainda definido o que estou vivendo, tenho vivido muito e pensado sobre muitas coisas, mas nada que me despertasse a vontade de escrever...
Porém hoje, encontrei um motivo para escrever, e o motivo é simplesmente essa vontade louca de me expressar com as palavras, essa vontade louca de falar, de me comunicar.
Tenho aprendido muitos significados para a palavra comunicação, mas nenhum que defina ou explique esse imenso sentimento que este comunicar proporciona, este falar "para ou com", acredito no poder transformador que este comunicar-se com o mundo pode proporcionar, acredito nas relações pessoais com pessoas, por mais que isto pareça equivocado, muitas relações que traçamos no nosso cotidiano deixaram de ser pessoais por mais que sejam com pessoas, há um distanciamneto sombrio na sociedade, um excesso de monólogos coletivos, um comunicar-se com o nada. O que acaba transformando este sentimento gratificante do comunicar em um sentimento desesperador por não entendermos este comunicar como uma prática mútua que requer ouvintes, as pessoas passam pelo mundo sem dizer suas palavras, pois o falar se transformou em excesso, não há tempo para os relacionamentos de diálogo, então tudo se transforma em um não contentar-se de contente, e quando você precisa falar?
O poder transformador da comunicação parece então não transformar, não é? mas como poderia este transformar algo que nem mesmo existe, é preciso praticar o comunicar com todas as suas letras, significados e significantes, dialogar com o mundo, problematizar o cotidiano e assim entender que a transformação acontece aonde precisa acontecer, é uma questão de libertação, ou como diria Paulo Freire uma pedagogia dialógica e libertadora..."

domingo, 7 de setembro de 2008

'Uma lição que eu não queria'

Mais um dia no estágio...
Dia de reunião de pais,vou ficar com um pré I- crianças de 4 anos, uma turma legal, muito esperta.
O dia passa tranquilo, só uma coisa me intriga, um menino, muito teimoso, parece não gostar de mim, tudo que me pede e eu não autorizo no momento ele desiste quando eu digo que já pode fazer, como por exemplo ir ao banheiro.
Quando acaba a reunião, digo para professora que ele está estranho, teimoso indeciso, então ele olha para professora e diz:
- Tia não lembra?
Ela então pergunta, o que?
-Hoje a minha mãe vai ter nenem!
A professora sorri e diz é verdade Paulo, mas você está com medo ou ciúmes?
Ele começa a chorar, e tanto a professora como eu ficamos sem ação. Um amiguinho da sala diz para ele ficar calmo, que é muito legal ter um irmão, que poderá brincar e cuidar dele.
No entanto o pior não era só isso, uma criança com medo de algo novo ou ciúmes de um irmão que está nascendo. Quando ele se aproxima da professora e de mim e fala:
-Você não lembra tia, a minha mãe vai vender meu irmãozinho!
Neste momento não são seus olhos que estão cheios de lágrimas, mas meu coração por estar de mãos atadas diante de uma realidade tão cruel...
Então me pergunto, que mundo é esse, que nem a felicidade de um nascimento pode mais ser desfrutada e que crianças, tão inocentes são obrigadas a conviver com a crueldade dos adultos?
Espero em Deus, que está criança possa mesmo através das tribulações que já passa, conseguir SOBREVIVER com dignidade e sair ileso quanto a esta realidade em que vivemos.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

"Aprender ensinando"

Dia agitado, acordar cedo ir para faculdade, sair correndo e ir para o estágio...( caminhar 3km)
E eu acreditando que era só isso.Mas era um dia diferente, dia de estágiaria tentar colocar em prática o que está aprendendo, e lá vou eu dar uma aula.
A classe é de crianças de 6 anos Pré III, eles são extremamente agitados, mas muito divertidos, conheço metade da classe, pois a outra metade já está de recuperação, então nunca os vejo.
Com toda a sala presente, iniciamos nosso dia, recebo as crianças na quadra, abraços, beijos...cantamos e oramos.
Pronto agora cada turma para sua rotina, areia, lanche, escovação, parque e finalmente sala....e agora o que será de mim???
Passo a tarefa de matemática que a professora deixou, todos resolvem, pintam, brigam, falam e com todo meu jeito ( que jamais saberia que tenho) proponho uma outra atividade, vamos desenhar, mas não é qualquer desenho é desenhar a escola e tudo o que veêm desta escola. Faço a pedido da turma como toda boa " tia de escolhinha" faz, desenho uma folha na lousa e coloco o titulo do trabalho para copiarem, eles se empolgam começam a desenhar cada espacinho que lembram, me desenham e tudo mais.
Sento na mesa perto da lousa e um por um me traz o desenho para eu ver, pergunto o que significa cada traço bem ou mal feito na folha e com os olhinhos brilhando eles decifram o que nem ao menos imaginavam se lembrar.
Cada pedacinho da escola é feito e é incrivél como a cada dia esta faz mais sentido em suas vidas.
Mas o mais importante nesse dia não foi o meu dia, mas o deles.
Quando uma garota muito esperta me pergunta: Tia Lais, de que cor pinto o céu e de que cor pinto as nuvens?
Sem muito saber o que dizer, olhei para o céu e respondi, olha lá fora, que cor você vê?
E ela me diz: azul, mas é o céu ou as nuvens?
Então respondo, morrendo de medo de complicar o assunto, que as nuvens fazem parte do céu então tanto céu quanto nuvem são azul.
Rapidamente ela correu para sua mesa e contou para suas amigas, exatamente como eu havia dito.

* O que importa nesta função de ensinar não é o que está certo ou errado, e sim se o que se ensina faz sentido para quem está aprendendo, se a cada sala que eu passar eu conseguir que relações com o mundo sejam feitas para que o aprender se torne apreender, então os meus dias enquanto pedagoga farão sentido.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Não é tão óbvio assim...

Há um tempo olho o meu blog e sinto uma vontade imensa de postar, leio e releio coisas e blogs, mas nada me vêem a cabeça para demonstrar com palavras o que estou vivendo.
E então entendi que este blog é um reflexo do que sou, e o que blogo ou não é um reflexo do que estou sentindo, e neste momento sinto uma imensa vontade de sentir...mais, muito mais.
Existem sentimentos que não são explicavéis, e sempre peco tentando explica-los, mas hoje não quero falar destes sentimentos ocultos e inexplicavéis.
Quero falar da vida, do dia, perguntar a você como foi o seu dia?
Quero saber o que acha do dia? Qual a concepção que tem de sua existência? Para que nascemos? E mais porque estamos aqui vivendo o real e o virtual...qual seria a minha e a sua missão no mundo?
***
Perguntas óbvias para alguns mas o óbvio precisa ser dito, perguntado...
As vezes estou assim, sem saber nada e nem os "porques" de nada, e do nada tenho provas ou sinais que me respondem, o que realmente precisava saber, afinal hoje eu sei o por que de viver.

Espelhos Mágicos
Os homens e seus espelhos mágicos
nada vêem além de si mesmos.
Se esqueceram daquele que um dia,
esteve entre nós
E que veio cumprir,
Segundo já estava escrito.
Nasceu, sofreu, morreu por nós
Seu sangue lá na cruz derramou.
Nasceu, sofreu...
Os homens e seus espelhos mágicos
Só vêem um Cristo vencido em dor,
Não conhecem a cruz vazia,
pois ressuscitou
Nem um toque de vida.
do filho do amor.
Nasceu sofreu, morreu por nós
seu sangue lá na cruz derramou...
Nasceu sofreu, morreu por nós
seu sangue lá na cruz derramou...
Na cruz lutou,
Na cruz venceu
e sua vida nos deu,
pra que a vida estivesse em nós...
***Reflexão baseada no tema da A.B.U de hoje ( O maior do sacrifícios) com base em Mateus 21: 38-46 e Isaías 52 e 53.***

domingo, 15 de junho de 2008

O cartaz e a mentira

"o cartaz do ramones quase me caiu na cabeça
mas eu menti, o durex deslocado do teto que me dava a
impressão de que o cartaz iria cair era pura mentira
fiquei pensando que o cartaz caía,
enquanto o mundo caía sobre mim
enquanto minha vida, como sucos prontos que se dissolvem em
água, dissolvia em mim
eu menti, eu sempre minto
que é pra fingir que a vida é menos dura, ou pra fingir que a
vida é mais sólida e eu posso apalpá-la e senti-la nos
dedos sujos
mas, a vida é líquida e se dissolve
o cartaz do ramones ainda ameaça cair sobre minha cabeça
meus dedos sujos ainda se comovem e colam novamente o
cartaz no teto,
enquanto minha vida se dissolve."
( Bruna dos Anjos Gomes - Casa 11)


Uma das poesias exposta no Sarau " Viva na Moradia" da Unesp - Marília 2008 /
a exposição completa esta no site:

http://chiapas.indymedia.org/display.php3?article_id=156904

sábado, 10 de maio de 2008

Meu coração chora, de saudades de você...

" O que dizer para expressar tamanho sentimento?
O que pensar para que este sentimento não me domine?
O que fazer para suprir esta necessidade da alma?
Se nem mesmo meus olhos me compreendem, peço lágrimas e não as vejo.
Se há razão nisso tudo, sinceramente eu não encontro razão para nada.
Se sentir é um estado, espero que este estado de sentimento passe.
Espero que dias como este, não se repitam.
Que ao lembrar de você, meus olhos não se omitam.
Meu corpo não se apavore e que meu humor melhore.
Afinal, recordações são para sempre...
Comemorações são presentes, mesmo que o meu presente não se materialize mas para você.
O meu coração clama por te presentear, minha alma busca te encontrar, minha vida sente falta da sua...
E ao olhar as estrelas, busco me acalmar, tento te encontrar...
Mesmo sabendo onde estás...
Só queria dizer...Feliz dias da mães, a você! E poder te abraçar, e em seu colo repousar.
Sinto sua falta...mãe!
Te amo Eternamente!"

sexta-feira, 18 de abril de 2008

" Só sei que nada sei..."


"Sei que a vida é um instante inconstante...
Sei que as pessoas são frutos desses instantes...
Sei que as recordações não são meros instantes...
Sei que a simplicidade não está em uma flor, e sim no seu aroma...
Sei que sentir é muito mais do que querer...
Sei que querer é muito mais do que conseguir...
Sei que esperar é ilusão do pensar...
Sei que saber não significa entender...
Sei que o homem é uma ciência mais complexa do que qualquer outra ciência, as vezes exata, as vezes humana, mas na sua maioria biologicamente incompreensivél."